O modo de resolver certas questões

O governador Pedro Gondim havia solicitado reiteradas vezes à Sudene um sistema de abastecimento para João Pessoa. Mas, nada de resposta. Certo dia, ele pôs um revólver na pasta e mandou seu motorista tocar para Recife. Na Sudene, nem esperou ser anunciado. Empurrou a porta, e foi logo dizendo a Celso Furtado, então superintendente: “Você […]

RC toma vaias de graça em estádio

Quando era um vibrante e coerente parlamentar de oposição, Ricardo Coutinho costumava ligar para alguns jornalistas e comentar: “Tás sabendo da vaia que Cícero Lucena tomou por conta do Viaduto Sonrisal?” Por isso, achei engraçado quando vi o noticiário registrar que o governador bateu o próprio recorde, ao ser vaiado no Estádio da Graça pela… sexta vez.

Foi uma graça saber. Também o que o governador foi fazer num estádio de futebol, fantasiado de torcedor do Botafogo, para assinar uma ordem de serviço? Ora, ao que me parece o gramado de um estádio, num intervalo de jogo, não é exatamente o local mais apropriado para fazer politicagem. Aliás, uma prática tão condenada pelo nosso antigo vibrante e coerente parlamentar de oposição.

A posse de Fátima e a relação entre poderes

Há muitos simbolismos na posse da desembargadora Fátima Bezerra como presidente do Tribunal de Justiça. Um deles, obviamente, é fato de ser a primeira mulher a presidir a Corte, e por méritos próprios. Mas, não se pode descartar, em se tratando de Paraíba, o ingrediente político que sempre permeia o debate no Estado desde 1930.

A começar por sua posse. O governador Ricardo Coutinho, por exemplo, esnobou da posse de Ricardo Marcelo na presidente da Assembleia, pela manhã, mas foi ao Tribunal de Justiça marcar presença na noite de sexta-feira. Claro que a praça entendeu o recado. RC tem problemas com o Legislativo, mas não quer embaraços com o Judiciário.

A desembargadora Fátima tem características particulares, como a capacidade de articulação e a altivez, detalhe que pode provocar uma mudança talvez sutil nas relações entre o Judiciário e o Executivo. Sob seu comando, certamente haverá uma relação respeitosa, mas institucional. Porém, difícil imaginar submissão de um poder ao outro.