
Em sua crônica, o escritor G. G. Carsan evidencia o mais recente Pôr do Sol Literário, com uma edição especial dedicada ao artista plástico e museólogo Chico Pereira, um dos membros fundadores da Confraria Sol das Letras. “Confesso que conheci mais de Chico Pereira, durante o evento (última quinta-feira, dia 22), do que em todos os nossos encontros, mas havia algo nele que era fantástico: reservava um pouco de atenção até para um desconhecido da plateia, a quem passou a chamar de cowboy…” Confira íntegra...
Quando bateu as 18 horas, o pátio da Academia Paraibana de Letras estava lotado, o som de Seu Moura estava sentido e fraco e eu me sentei lá na última fila, para ninguém me ver chorar, pois sabia que o que vinha pela frente seria de lascar coração.
Depois da bela apresentação sonora de Mariana Cardoso ao violão, teve início a série de depoimentos, que posso chamar de “testemunhas a favor de Chico”, com recordatório de tantos acontecimentos. Houve até história de mesa de bar, piadas, e muito, muito trabalho. O homem era, foi dito, uma máquina de pensar, de vanguarda.
Aqui pra nós, gente assim não devia envelhecer, muito menos morrer. Mas nem tudo é perfeito… (sic)
Olha a fila de importâncias perereanas que passaram pelo microfone: Hildeberto Barbosa – imortal, poeta, professor, escritor, acadêmico APL. Pedro Santos – Secretário Estadual de Cultura Merlânio Maia – cordelista Palmarí de Lucena – amigo Diógenes Chaves – colega de trabalho e amigo Wermond Breckenfeld – amigo de baladas e festas no Bar. Foi engraçado os causos. Tarcísio Pereira – escritor, acadêmico APL 5 filhos de Chico Pereira – que lindos, lembrando o Chico em cada palavra.
A arte de Wilson Figueiredo se fez presente, entregando aos familiares, um lindo quadro, com a imagem-rosto de Chico Pereira.
O violinista Yutaro se apresentou, com lindas peças musicais. Fiquei impressionado. Onde foram buscar um japonês para homenagear o nosso imortal? Coisas de Chico Pereira.
A Academia Paraibana de Letras, casa do acadêmico Chico Pereira, enlutada, mas homenageando, estava repleta de suas obras, em Exposição Especial, em seu cômodo principal. Além disso, os filhos distribuíram um folder histórico chamado Pores do Sol, com suas obras (quadros); e Palmarí de Lucena distribuiu um cordel sobre Chico, intitulado Chico Pereira – Arte, Ética e Construção.
Precisa dizer mais alguma coisa? Então, eu digo: Chico Pereira foi membro-fundador do projeto Sol das Letras e participou da maioria dos eventos Pôr do Sol Literário, que frequentei várias vezes. Nossos encontros se deram ali, rápidos e sutis. Confesso que conheci mais de Chico Pereira, ontem, do que em todos os nossos encontros, mas havia algo nele que era fantástico: reservava um pouco de atenção até para um desconhecido da plateia, a quem passou a chamar de cowboy, devido a uma performance esquecida no tempo (Estive no Pôr do Sol apresentando um livro sobre o cowboy TEX, vestido como o personagem, e aquilo lhe marcou).
Por fim, dizer que Chico Pereira, que ao meu ver tinha um olhar irônico, talvez e provavelmente, imposto e adaptado pelo repetitivo passar dos dias, estava por lá, divertindo-se com as lembranças, com os amigos, com as filhas e filho, pois como explicar aquele vento que derrubou o quadro? Ou aquela taça que se espatifou no chão? Com certeza era Chico chamando a atenção.
A sessão litero-gastronômica estava atômica e bem requisitada, de forma que ninguém largou pé enquanto não viu mesa limpa. Nada melhor do que alimentar o corpo depois de uma farta alimentação do espírito, entre a nata da literatura paraibana.
Uma plateia seleta, onde destaco o Presidente da APL Severino Ramalho, o imortal José Otávio Arruda, a escritora Maria Das Neves Franca , o presidente da ALJ-PB Eitel Santiago.
Ao final, para não dizer que não reguei as flores, trouxe para meu acervo, o caderno Chico Pereira – Retrospectiva 50 Anos, que figurava em destaque na expressiva e sempre presente Livraria do Luiz.
O evento foi regido pelo maestro Helder Moura, fotografado e administrado pela musa Ana Paula e demais Membros do Sol das Letras. Sendo dito o que de mais importante transpareceu, despeço-me com sentidas condolências ao grande Chico Pereira, que estava lá. E que continue seu trabalho por lá, pois o legado aqui, está fresco e definido.
(* imagem acima da capa do cordel lançado no evento por Palmarí de Lucena)
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