PENSAMENTO PLURAL Não há crise inexistente só na Caatinga, por Durval Leal Filho

O cineasta Durval Leal Filho aborda em seu texto a escalada de escândalos no Brasil, em especial o caso do Banco Master, e suas fortes ligações com o setorers do Judiciário. Observa Durval como “um rombo estimado em até R$ 47 bilhões, o maior da história recente do Fundo Garantido de Compensação, menor apenas que um Petrolão, e maior do que o mensalão, porque que só durou alguns parcos anos, da esquerda proletária. Confira íntegra...

No Brasil, desde 2003 o calendário ainda exala o cheiro de podridão institucional que já dura décadas, já passaram vários escândalos. Até você Sílvio, com o Baú do Panamericano ao atual o escândalo do Banco Master que surge como o mais recente episódio de uma novela interminável: a da elite que defeca na cara do povo e depois pede para não sentirem o fedor.

Chega de papo furado. A falta de decência institucional não é crise, é o cheiro podre da podridão sistêmica. Executivo, Legislativo e Judiciário: de mãos dadas no escárnio, escrachando e atirando fezes sem pestanejar no povo, eleitores otários.

O Banco Central, com sua pose de guardião solitário da estabilidade, liquida o banco do Dandi do Master sem alarde prévio ao Congresso, ao Executivo ou ao STF, ou melhor, sem alarde público, para não atiçar os filhos do TCU e a CAE do Senado.

Porque, nos bastidores, as oito mãos (as do Planalto, do Legislativo, do Judiciário e do próprio TCU) se entrelaçam em uma única luva de látex para proteger o que realmente importa: os bolsos dos amigos, dos doadores e dos que podem virar delatores incômodos.

Os entes institucionais, esse quadrilátero terrificus profana e transforma o Planalto em latrina pública. O Banco Central, autônomo como lobo em pele de cordeiro, injeta liquidez para os tubarões da Faria Lima enquanto o INSS vira carcaça roída. Lalau e Bolsominions: eis os vilões eternos, mas todos os coroaram?

O esquema era simples e genial na sua canalhice: emitir CDBs com rendimentos estratosféricos para atrair investidores, aplicar o dinheiro em carteiras de crédito fictícias, vender esse ar quente para bancos públicos como o BRB por bilhões e deixar o FUNDO GARANTIDOR DE COMPENSAÇÃO (FGC) segurar a bomba quando tudo explodisse.

Resultado? Um rombo estimado em até R$ 47 bilhões, o maior da história recente do Fundo Garantido de Compensação. Menor apenas que um Petrolão, e maior do que o mensalão, porque que só durou alguns parcos anos, da esquerda proletária.

O senhores administradores de fundos de pensões dos aposentados e pensionistas do Amapá, abram alas para a família Al Cume e aos Milicianos do Rio de Janeiro, que racharam com os consignados do Banco Master, coitados.

Viram suas parcelas virarem poeira, mas sambaram com a banda passando, fundos de pensão estaduais perderam milhões, e o povo, como sempre, paga a conta indireta. Sabem que o FGC é capitalizado pelos bancos, incluindo os públicos, e quando o buraco cresce, o custo se espalha pela economia, tarifas mais altas, juros maiores, inflação sorrateira. É o clássico “socialismo para os ricos”: privatizam os lucros, socializam os prejuízos.

E A TRANSPARÊNCIA? AH, ESSA É A PIADA MAIS CRUEL.

Enquanto o Dandi do Master era preso tentando fugir para Dubai, Brasília entrou em modo mudo. Delação premiada? Rumores fervem, será que o banqueiro pode abrir o bico e citar nomes de peso, de ministros do STF a figurões do Planalto e do Congresso. Mas o silêncio reina.

O Ministro passageiro de primeira classe, vira relator do caso, impõe sigilo total, viaja em jatinho com advogado de investigado, hospeda-se em resort ligado ao esquema, da própria família que não tem tostões, arquiva pedidos de suspeição.

A Magnífica Careca Lustrosa nega reunião na casa do Dandi do Master, mas as perguntas ficam: quem visitou quem, quem mediou o quê, quem pressionou para que o banco não afundasse antes da eleição? E o cachê de 130 milhões para o escritório da família, como ficou ou ficará?

O Congresso, esse antro de emendas atômicas, finge investigar com CPI e CPMIs que nascem mortas, com o Executivo que se cala, aqui quem cala não consente, porque o Master financiou campanhas de direita e esquerda, Bolsonaro, São Paulo, Brasília, como senhores mediadores temos os notórios Temerários e Amanteigados, como a eterna ponte para os Lalau.

TODOS TÊM UM POUCO DO BANCO MASTER NO BOLSO.

Ou, como diria o povo, todos têm um pouco de fezes nas mãos. É admirável o mundo novo que construímos: um em que os entes do STF viram deuses intocáveis, no Congresso os terroristas armam bombas com pautas, onde jabutis se escondem para o interesse privado, nas emendas parlamentares que valem bilhões, e o Executivo distribui cargos e favores como quem joga migalhas, aos partidários.

Os aposentados, esses sins miseráveis modernos, recebem 3,6% de reajuste ao ano enquanto o Careca do INSS vê seus consignados virarem ouro em pó.

E assim seguimos com os “capitães” do Judiciário degustando acepipes de luxo, enquanto o povo come sonhando com tarifa de transporte majorada em ZERO, e deliram com tabela 5×2, que não chegará pois quem cobrirá o rombo que causará no déficit fiscal.

Esquecemos o 7 a 1? Pois aqui diariamente temos um 11 x 0; 5 x 0; 3 x 2; 4 x 1; esses são alguns dos possíveis prognósticos no STF. O povo perde, as instituições empatam em impunidade, com os subjetivos trancamentos monocráticos.

OS MONOCRÁTICOS SÃO INSTITUIÇÕES INDEPENDENTES.

Alexandre Dumas, se vivo, não escreveria “Os Miseráveis”, escreveria “Os Cúmplices”. Porque somos todos por um, desde que sejam: o banqueiro fraudador, o ministro que arquiva, o deputado que emenda, o presidente que manobra.

Soltamos as mãos só para despentear a própria careca, mas nunca para salvar o escalpo alheio.

O touro vem calado, não em forma de bife: não haverá justiça sumária, só delações seletivas, sigilos eternos e discursos sobre “instituições fortes”. Fortes para proteger quem? Os que já têm cueca samba-canção com bolso interno cheio.

No curto prazo, não negociamos transparência, porque ela descaracterizaria as emendas parlamentares, as decisões monocráticas, os acordos de bastidores. No médio prazo, o povo paga: aposentadorias atrasadas, saúde sucateada, educação precária.

E no longo? Continuaremos vítimas dos Lalaus e dos Bolsominions, dos que prometem mudança mas só mudam de lado da mesa. Deus, se existe, não está pelos aposentados; o Congresso está pelos golpistas; o STF, pelos banqueiros e industriais açougueiros; mais diretamente pelos escritórios familiares, que recebem mais do que troco de pinga da farra.

A falta de vergonha institucional não é crise: é o regime que é criminoso há exatos 23 anos, sem mudar o tom nem a partitura dos escândalos.

Cheira mal, mas ninguém abre a janela. Porque o fedor é de todos, e ninguém quer ser o primeiro a admitir que está coberto de fezes.

E VIVA O POVO BRASILEIRO SEM OLFATO.

 

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