
Não é preciso ser expert em política para concluir que o senador Flávio Bolsonaro (PL) está nas cordas, meu caro Paiakan. É inevitável o seu desgaste, algo que, inclusive, deve se refletir nas próximas pesquisas. O pré-candidato pecou feio nessa história de ligação com Daniel Vorcaro.
É compreensível a contratação de empresas privadas para financiamento de um filme, como, aparentemente, foi o caso, com investimento no filme sobre Jair Bolsonaro. Mas, ter omitido para a opinião pública passa a impressão de ter sido algo que desejava esconder aos olhos dos brasileiros.
No mínimo, foi uma ingenuidade. Diante da apreensão dos celulares de Vorcaro pela Polícia Federal, claro que todos os áudios, inclusive, os mais tenebrosos seriam vazados, como foi o caso deste. Ou o senador apostou no peso de sua condição nas pesquisas para suplantar o escândado, posto que é um escândalo. Erro crasso.
Depois, a sua resposta à veiculação dos áudios trazendo suas conversas, cobrando pagamento de Vorcaro, foi, no mínimo, insatisfatória, até risível. Se, de um lado, defende a instalação da CPI do Master, algo considerado, digamos, razoável, de outro, não explica porque essa cobrança aconteceu um dia antes da prisão de Vorcaro.
Naquele momento, a praça toda já sabia das traquinagens de Vorcaro, em meio, inclusive, ao processo de liquidação extrajudicial do Banco Master. Será que o senador não sabia? E, mesmo assim, sabendo, ainda manteve o contato com um sujeito àquela altura já amplamente radioativo. Foi fatal.
Tudo bem que Vorcaro também andou financiando filmes sobre Michel Temer (MDB) e também do próprio presidente Lula (PT), o que, em tese, seria considerado normal. Temer e Lula vão ter se explicar também, mas o fato é que, neste momento, quem está nos hololofotes é Flávio Bolsonaro.
Resumo da ópera, meu caro Paiakan: para quem vinha bem nas pesquisas, jogando praticamente parado na pré-campanha, o senador apresenta um processo acentuado de sangria eleitoral, e tem os próximos dias para estancar os estragos. Algo que, vamos combinar, é muito, muito difícil.
Ainda mais que a campanha de Lula não vai deixar barato, e explorar o seu deslize até as últimas consequências. E ainda terá que lidar com os rumores, que podem crescer nos próximos dias, da necessidade da direita bolsonarista trocar de candidato.