PENSAMENTO PLURAL Lula busca promoção pessoal, não a promoção do Brasil, por Emir Candeia

Em seu texto, o professor Emir Candeia critica a posição do presidente Lula, após o governo americando declarar as organizações criminosas PCC e CV como terroristas, e também sinalizar mais um tarifaço contra produtos brasileiros. “A reação pública de Lula tem forte componente retórico. O mais adequado para o Brasil seria menos palanque e mais mesa de negociação, pois, agindo de forma errada, quem paga a conta são os exportadores, os trabalhadores, as empresas e os consumidores”, pontua. Confira íntegra…

Lula usou o conflito tarifário com os Estados Unidos como palco político interno, tentando transformar uma negociação comercial em narrativa de “defesa da soberania nacional”.

Os Estados Unidos propuseram uma tarifa de 25% sobre vários produtos brasileiros, alegando práticas consideradas desfavoráveis em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, meios de pagamento, meio ambiente e outros pontos. Ainda existe espaço para negociação.

A reação pública de Lula tem forte componente retórico. O mais adequado para o Brasil seria menos palanque e mais mesa de negociação, pois, agindo de forma errada, quem paga a conta são os exportadores, os trabalhadores, as empresas e os consumidores.

Lula mistura três coisas diferentes: soberania nacional, negociação técnica de comércio exterior e narrativa eleitoral interna.

A negociação técnica exige diplomacia, concessões calculadas, pressão empresarial, articulação no Congresso americano, uso da OMC quando cabível e defesa produto por produto.

No entanto, Lula transforma a crise em espetáculo político para parecer “o defensor do Brasil contra o império americano”.

Lula parece preferir o ganho simbólico de aparecer como resistente aos Estados Unidos ao ganho prático de reduzir os prejuízos comerciais para o Brasil. Um presidente deveria agir como negociador de Estado, e não como candidato em campanha permanente.

Um presidente equilibrado deveria ter uma postura diferente.

Lula transformou uma disputa comercial complexa com os Estados Unidos em narrativa política doméstica. Em vez de tratar a taxação como um problema técnico de Estado, com negociação silenciosa, pragmática e orientada a resultados, preferiu muitas vezes o discurso de enfrentamento, útil para sua imagem junto ao eleitorado.

O risco é que o Brasil perca tempo, mercado e competitividade enquanto o governo tenta colher dividendos políticos da crise. Defender o país não é apenas fazer discursos contra os Estados Unidos; é proteger exportadores, empregos, empresas e cadeias produtivas brasileiras com negociação eficiente.

Portanto, mais do que dizer que Lula “não pensa no Brasil”, a crítica mais precisa é afirmar que ele prioriza a narrativa política sobre a eficiência da negociação.

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