CASO DOS RESPIRADORES Inquérito é remetido para o STJ e suspeitas maiores recaem sobre Rui Costa

O escândalo estava praticamente esquecido, mas eis o famoso inquérito dos respiradores comprados pelo Consórcio Nordeste, durante a pandemia, que nunca foram entregues, está de volta.

O inquérito foi remetido pelo ministro Flávio Dino (Supremo Tribunal Federal) ao Superior Tribunal de Justiça. Como se sabe, os aparelhos foram comprados de uma empresa de derivados de maconha pelo governo de Rui Costa (PT) na Bahia, durante a Covid. Foram pagos R$48 milhões, R$12 milhões antes da assinatura do contrato. 

Em junho, a PGR (Procuradoria-Geral da República) havia solicitado o envio do caso para o STF, apontando que a ocultação dos recursos desviados na compra dos respiradores permaneceu em curso enquanto Rui Costa era ministro. A  defesa de Rui Costa tem negado irregularidades na operação.

Pra entender – Em 2020, durante a pandemia, quando Rui Costa, então governador da Bahia  e presidente do consórcio dos governadores do Nordeste, assinou um contrato de R$ 48 milhões para compra de respiradores pulmonares com uma empresa que não tinha a documentação necessária para importar os aparelhos e autorizou o pagamento adiantado.

Os respiradores nunca foram entregues e o dinheiro até hoje não foi recuperado. Detalhe: segundo a Polícia Federal, parte dos valores desviados na compra dos respiradores foi parar em fundos geridos pela Reag, também suspeita de lavagem de dinheiro no caso Master.

Investigação – Uma investigação foi aberta na época pela Polícia Civil da Bahia e depois remetida ao STJ por suspeitas da participação de Rui Costa no caso. Desde então, o inquérito teve sucessivas mudanças de competência e se arrasta sem conclusão nem recuperação dos valores. A dona da empresa Hempcare, responsável por vender os respiradores, fechou uma delação premiada e disse ter pago comissão a um lobista que se apresentou como amigo de Rui Costa.