PENSAMENTO PLURAL O que as primeiras mobilizações das chapas majoritárias mostram, por Flávio Lúcio Vieira

Interessante crônica do historiador Flácio Lúcio Vieira, abordando os primeiros dias da campanha ao Governo do Estado. Flávio mostra como se fundamenta a candidatura de Lucas Ribeiro (Progressistas) e traça um paralelo com a biografia do ex-prefeito Cícero Lucena (MDB), bem como do senador Efraim Filho (PL). Confira íntegra…

Os primeiros dias das campanhas das duas principais chapas majoritárias são reveladores de suas estratégias eleitorais. No fim de semana, o candidato do Progressistas, Lucas Ribeiro, concentrou sua presença no interior do estado, especialmente no Cariri.

Se levarmos em conta que a candidatura de Lucas Ribeiro não nasceu da trajetória de um político que se fez, pelos próprios méritos, uma liderança estadual, mas do fato de o atual governador ser o herdeiro mais jovem de uma das famílias mais longevas e tradicionais da política paraibana, faz sentido que sua campanha aposte no poder da máquina estadual justamente onde ela pode produzir mais resultados.

Essa é também uma característica comum à chapa governista, já que João Azevêdo e Nabor Wanderley, digamos assim, pularam etapas. João se tornou governador sem nunca ter concorrido sequer a vereador. Nabor, embora seja uma liderança em Patos, cidade que governou várias vezes, é candidato ao Senado fundamentalmente por ser pai do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Aguinaldo Ribeiro e Hugo Motta são os verdadeiros artífices, as eminências pardas por trás da chapa governista.

A chapa do MDB tem outra origem.

Cícero Lucena foi governador, vice-governador, ministro, senador e prefeito de João Pessoa por quatro vezes. Ninguém na política paraibana tem um currículo como o seu. Veneziano foi vereador, duas vezes prefeito de Campina Grande, deputado federal e é, atualmente, senador pela Paraíba. André Gadelha tem um currículo menos extenso: foi vereador, prefeito de Sousa e deputado estadual, porém, está na chapa do MDB pelos próprios méritos e também como representante político do Sertão.

Pois bem. Cícero, Veneziano e André concentraram suas atividades no fim de semana nos dois maiores colégios eleitorais da Paraíba — as regiões metropolitanas de João Pessoa e Campina Grande — e no percurso entre esses dois pólos. Receberam novos apoios, como aconteceu em Queimadas, onde se juntaram à campanha o ex-deputado estadual Jacó Maciel, o atual vice-prefeito, Minho, e o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Lucena.

Claro que a campanha de Cícero, Veneziano e André não ficará restrita a esses dois espaços, muito menos a de Lucas Ribeiro. O que essas primeiras escolhas revelam, entretanto, é justamente o que foi antecipado acima: Lucas depende mais do voto das cidades menores, enquanto Cícero Lucena demonstra maior força nos grandes centros e em boa parte do litoral paraibano.

Mas não apenas ali.

Em Campina Grande, as placas tectônicas da política começam a se mover. A reunião, em torno de uma mesma candidatura, de lideranças como Veneziano Vital, Pedro Cunha Lima, Romero Rodrigues, Tovar Correia Lima, Dr. Jhony, Manoel Ludgério e outras forças políticas importantes da cidade vai criando uma configuração eleitoral cujos resultados só veremos com o passar da campanha.

E é justamente aí que as primeiras iniciativas dos dois lados começam a revelar. E as ruas são os sintomas disso.

 

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