CRISE MASTER Até onde Moraes vai esticar a corda e expor o Supremo Tribunal Federal ao escárnio da população?

Em qualquer país sério, meu caro Paiakan, o ministro Alexandre de Moraes já estaria afastado do Supremo Tribunal Federal, enquanto se aguardasse o desfecho das investigações. Aliás, tal iniciativa deveria partir do próprio ministro, que, obviamente, não vai tomar essa decisão.

De outro lado, qualquer presidente de parlamento também já teria agido. O Senado Federal é o agente revisor de atos de ministros do STF, mas seu presidente Davi Alcolumbre, misteriosamente, rejeita qualquer possibilidade de investigação. O que tem levado muita gente suspeitar que ele também teria culpa no cartório. E olha que são nada menos do que 109 pedidos de impeachment contra ministros do STF. Todos sem fundamento?

O fato é que as novas revelações da Polícia Federal parecem sinalizar até mesmo uma tentativa de obstrução de justiça, na medida em que, aparentemente, Moraes tentou proteger Daniel Vorcaro, do Banco Master, em sua tentativa de fuga do Brasil.

Causa repugnância, um ministro de um corte suprema operar em conluio com sujeito apontado como pivô do maior escândalo do sistema bancário do País. E pior: ficar em silêncio, sem dar qualquer satisfação, como se simplesmente fosse um deus e não precisasse dar explicações de seus atos.

Não se está afirmando que Moraes seja culpado. Mas, percebe-se que há uma riqueza de indícios, evidentes em várias trocas de mensagens com Vorcaro, contrato de R$ 129 milhões (aparentemente R$ 131 milhões), cessão de aeronaves em novo contrato de R$ 50 milhões e talvez vazamento de informações para socorrer o banqueiro. Tudo parece indicar crime de responsabilidade.

Diante da cumpliciedade de Alcolumbre e da certeza de impunidade que, aparentemente, tem Moraes, só resta aguardar que o ministro André Mendonça não seja impedido de seguir com a única alternativa que resta, que é abrir uma investigação contra Moraes e também contra o histriônico procurador-geral Paulo Gonet. Para que, inclusive, possam provar sua inocencia. Ou não.

Mas, também num país sério um sujeito como Alexandre de Moraes não seria ministro de corte suprema, meu caro Paiakan. Nem Gonet procurador-geral da República.