PENSAMENTO PLURAL A guerra é justa, por Ronaldo Cunha Lima Filho

Em seu comentário, o advogado Ronaldinho, apesar de considerar todas as guerras como sendo “abjetas”, considera que, no caso do ataque do Estados Unidos e Israel ao Irã, a guerra é justa. “Entendo que sim (é justa). No direito internacional, a legítima defesa é o direito de um país usar a força para se proteger de um ataque armado real ou iminente”, afirmou, lembrando que o Irã, além de massacrar sua própria população, também financia grupos terroristas como Hezbollah e Hamas. Confira íntegra...

Toda guerra é abjeta, e não há como impedi-las completamente. Mesmo para o vencedor, o preço é sempre alto, em vidas, recursos e cicatrizes históricas. Cada lado reivindica para si a razão e o direito de destruir o outro, muitas vezes amparado em justificativas frágeis ou moralmente ambíguas. Ainda assim, há guerras que podem ser consideradas justas: aquelas travadas em defesa da própria sobrevivência, da liberdade e do território diante de um agressor.

Desde que o homem abandonou o nomadismo e passou a ocupar territórios fixos, surgiram conflitos pela posse e defesa da terra. No passado, lutava-se por água e agricultura; hoje, luta-se por petróleo, riquezas minerais, posição geográfica e poder estratégico. No fundo, a maioria das guerras é movida por interesses que transcendem o discurso moral e revelam disputas por influência e segurança.

O recente confronto envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã parece menos ligado à conquista econômica direta e mais à tentativa de conter uma ameaça estratégica maior: impedir que o Irã desenvolva armas nucleares e amplie sua influência regional por meio de aliados armados. Mais do que petróleo ou território, o que está em jogo é o equilíbrio de poder e o medo de uma ameaça futura capaz de alterar profundamente a ordem regional e global.

O Irã é uma teocracia sanguinária, um Estado que financia grupos armados como o Hezbollah e o Hamas, considerados organizações terroristas por diversos países. O direito internacional condena, como regra geral, a invasão de um país por outro. O ataque ao Irã tem um objetivo declarado: impedir que o país persa construa sua bomba atômica. O fundamentalismo xiita, instalado desde 1979, no rastro da bem-sucedida Revolução Islâmica, vem sendo acusado de burlar acordos e manipular informações, com o objetivo de avançar em seu programa nuclear.

Na primeira incursão aérea desse conflito, os Estados Unidos e Israel obtiveram êxito significativo. Além de eliminar várias autoridades do regime, foi morto seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, aos 86 anos, que comandou o país com mão de ferro por 35 anos. Seu governo foi amplamente criticado por organizações internacionais de direitos humanos, especialmente pelo tratamento dispensado às mulheres, opositores e minorias.

Há poucos dias, parte da população oprimida insurgiu-se contra o regime, sendo duramente reprimida pelas forças de segurança. O número exato de mortos permanece incerto, embora relatos indiquem cifras elevadas.

Essa guerra é justa? Entendo que sim. No direito internacional, a legítima defesa é o direito de um país usar a força para se proteger de um ataque armado real ou iminente. É razoável supor que, de posse de armamento nuclear, o Irã poderia alterar profundamente o equilíbrio geopolítico global e ampliar sua capacidade de ameaça. Um país marcado por repressão interna, ausência de liberdades civis e restrições à imprensa não pode ser ignorado quando busca adquirir armamentos de destruição em massa.

Muito provavelmente ficasse o Brasil no Oriente Médio e Lula fosse o o presidente, ao invés de condenar os ataques, teria ele aplaudido de pé.
Nossa esquerda tá precisando fazer um curso intensivo que tenha como objetivo principal estudar os direitos humanos, bandeira que tanto gostam de ostentar, mas claramente com profundos equívocos.

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