
O advogado Ronaldo Cunha Lima Filho analisa, em seu texto, o desgaste, apontado em pesquisas, do presidente Lula, com um elevado índice de reprovação, e de que forma esse dado tem se refletido nos indicados de intenção de votos, na disputa contra o senador Flávio Bolsonaro. “Nos últimos meses, Lula produziu mais fatos políticos negativos do que positivos. Seu adversário, por outro lado, inicialmente desacreditado, adotou estratégia oposta. Falou menos, expôs-se menos e evitou produzir crises”, pontua. Confira íntegra...
Na última semana, uma sucessão de pesquisas de opinião veio a público medindo os números da corrida presidencial. O que poucos previram foi o crescimento expressivo do candidato da direita, Flávio Bolsonaro. Até então, os levantamentos indicavam apenas um empate técnico entre Lula e seu principal rival.
Nesta terça-feira, 11 de março, a Quaest divulgou novos números. O empate que antes era técnico passou a ser matemático: 41% a 41%.
A pesquisa trouxe mais do que o surpreendente crescimento do senador Flávio Bolsonaro. Ela registrou queda nas intenções de voto em Lula, aumento da rejeição ao seu nome e crescimento da desaprovação do seu governo.
O paradoxo é flagrante. O governo Lula apresenta indicadores econômicos relevantes. O país registra níveis históricos de emprego e voltou a sair do mapa da fome, conquistas que, em circunstâncias normais, tenderiam a fortalecer qualquer governo.
Houve aumento real da renda do trabalhador, porém o custo de vida elevado neutralizou boa parte dessa melhora. No cotidiano das famílias, a percepção de aperto continua mais forte do que os indicadores macroeconômicos.
Há também uma mudança silenciosa no comportamento do eleitorado. Programas sociais como o Bolsa Família, que em outros momentos geravam forte capital político para o governo, hoje passaram a ser vistos como direitos consolidados.
Identificar uma causa única para esse cenário seria simplificação. Ainda assim, a própria Quaest aponta um elemento relevante. Nos últimos meses, Lula produziu mais fatos políticos negativos do que positivos. Seu adversário, por outro lado, inicialmente desacreditado, adotou estratégia oposta. Falou menos, expôs-se menos e evitou produzir crises.
Alguns episódios ajudaram a alimentar o desgaste do governo. Um exemplo emblemático foi o desfile da escola de samba de Niterói. O que poderia ter sido apenas uma manifestação festiva transformou-se em um constrangimento político. Além da bajulação considerada excessiva, parcialmente financiada com recursos públicos, houve provocações desnecessárias ao ex-presidente Bolsonaro, já afastado do jogo político.
Resultado, a Acadêmicos de Niterói foi rebaixada. Coisas do destino.
E pelo jeito ainda vem chumbo grosso por aí. As questões envolvendo Lulinha, o filho do presidente, o colossal imbróglio do banco master e o escândalo envolvendo dois ministros do STF, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que no sentimento da população são da cozinha do presidente Lula. E ainda tem as CPIs. A bronca é grande.
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