
O advogado Ronaldo Cunha Lima versa, em seu comentário, sobre a inversão de valores morais no País, num cenário em que o Supremo Tribunal Federal, leia-se Alexandre de Moraes, está mais preocupado com o vazamento de informações, que deveriam ser investigadas, do que propriamente em dar explicações para deslizes cometidos no envolvimento com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Confira íntegra…
Em junho de 2019 vieram a público os áudios da Operação Lava Jato, contendo diálogos e mensagens trocados entre o juiz Sérgio Moro e representantes do Ministério Público. A despeito da flagrante ilegalidade na forma como foram obtidos, essas conversas acabaram contribuindo para a derrocada da operação que, por aproximadamente seis anos, desbaratou o maior esquema de corrupção já revelado no Brasil.
À época, a discussão sobre a ilegalidade das gravações ficou em segundo plano. O que realmente despertava interesse era o teor igualmente ilegal dos registros clandestinos. Em última análise, foram esses diálogos que levaram a Lava Jato ao cadafalso.
No Supremo Tribunal Federal, coube ao ministro Dias Toffoli, pouco a pouco, ir desmontando os processos que envolviam condenados, culpados e até réus confessos. Em alguns casos, determinou-se inclusive a devolução de valores desviados. Passados sete anos, é possível compreender com mais clareza a lógica que orienta o pensamento do douto ministro.
Agora surge o megaescândalo do Banco Master. Além de dezenas de envolvidos, o caso atingiu diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Ainda assim, amplos setores da imprensa e da política tratam o episódio com notável parcimônia.
Há um aspecto que particularmente chama a atenção. Em muitos casos, tem-se dado mais importância aos vazamentos ilegais de material obtido no curso das investigações do que ao conteúdo revelado por eles.
Imagine a seguinte cena. Um automóvel atropela um pedestre. No impacto, um dos pneus fura. A polícia chega ao local e, em vez de apurar as circunstâncias do atropelamento, concentra-se em descobrir por que o pneu furou. Enquanto isso, no asfalto, jaz o corpo inerte da vítima. Todos assistem à tragédia, mas a investigação parece interessada apenas no pneu furado.
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