PENSAMENTO PLURAL Só os tolos se contrapõe aos avanços da tecnologia, por Ronaldo Cunha Lima Filho

Em seu texto, o advogado Ronaldinho comenta como é pouco inteligente se insurgir contra os avanços da ciência. Fala, em especial, da Inteligência Artificial, que se tornou pauta da atualidade. “Apesar dos riscos, a inteligência artificial não deve ser tratada como vilã. Trata-se de uma ferramenta poderosa, ainda em estágio inicial de desenvolvimento”, pondera. Confira íntegra…

A inteligência artificial, desenvolvida a partir da década de 1970, atingiu atualmente um grau de sofisticação capaz de enganar e confundir pessoas de maneira sistemática. A distinção entre o que é verdadeiro e o que é falso exige atenção permanente, e a tendência é que esse desafio se torne cada vez mais complexo.

No entanto, a desinformação não é produzida apenas por sistemas de IA. Um recurso recorrente é o chamado corte, prática que consiste em destacar trechos de uma fala fora de seu contexto original, alterando o sentido da mensagem. Nos últimos dias, circulou nas redes sociais um fragmento de uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em que ele afirma que “pobre não nasceu para estudar”. A frase foi efetivamente dita, mas inserida em um contexto que a contradiz. No discurso completo, o presidente defendia o direito da população de baixa renda ao acesso à educação.

A utilização desse expediente com objetivos políticos revela um grau preocupante de falta de escrúpulos e, frequentemente, produz efeitos concretos sobre a opinião pública. Há inúmeros episódios semelhantes. Ainda assim, responsabilizar exclusivamente quem é enganado ignora o nível de sofisticação dessas manobras, concebidas justamente para induzir ao erro.

Apesar dos riscos, a inteligência artificial não deve ser tratada como vilã. Trata-se de uma ferramenta poderosa, ainda em estágio inicial de desenvolvimento. A adoção de uma legislação mais rigorosa e específica pode contribuir para reduzir danos, especialmente entre usuários mais jovens. O fato é que esse processo está apenas começando. Sem medidas eficazes, o avanço da desinformação tende a formar um contingente crescente de cidadãos orientados por conteúdos falsos, ampliando os efeitos da mentira no espaço público.

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