
O Judiciário segue na mira dos brasileiros. Há poucos dias, uma pesquisa do DataFolha trouxe que pelo menos 43% dos brasileiros não confiam mais no Supremo Tribunal Federal, contra 38% que dizem acreditar. É certamente um dos índices mais elevados de desaprovação. E há muitas razões para isto, meu caro Paiakan.
Pra não ir muito longe, o envolvimento escrachado dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, do Banco Master, por exemplo. Esse, certamente, um dos assuntos mais sensíveis, com repercusão mundial. A agência Blomberg até trouxe reportagem alarmada com o tamanho da cumplicidade dos ministros. O mundo está vendo.
E há os ministros começam a atuar contra jurisprudência da Corte, como o caso da CPI do Master. O ministro Cristiano Zanin negou pedido da Oposição para obrigar o deputado Hugo Motta instalar a comissão. À contramão do que fez Roberto Barroso, quando mandou instalar a CPI da Covid nas mesmas circunstâncias. Dois pesos e tantas medidas…
Agora, compadecido do colega Flávio Dino, ele, sempre, Alexandre de Moraes manda sua Polícia Federal agir. E decreta apreenção de celulares e computadores do jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, por publicar que familiares de Dino vinham utilizando veículo do Tribunal de Justiça do Maranhão, que, aliás, confirmou a informação.
Para justificar a ofensiva, Moraes alega que Pablo vinha se valendo “de algum mecanismo estatal para a identificação e caracterização dos veículos empregados, que permitiram a exposição indevida relacionada à segurança das autoridades”. O detalhe é que a ação se deu no âmbito do Inquérito do Fim do Mundo, aliás, das Fake News. O mesmo instrumento de intimidação.
Em nota, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão, a Associação Nacional de Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais consideraram preocupante a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Alertaram que a decisão implica em violação do sigilo da fonte
Até a OAB do Maranhão se manifestou: “O que é grave no caso concreto é que isso pode representar não apenas uma ameaça ao direito individual desse jornalista, mas à prerrogativa da imprensa como um todo. Porque o sigilo da fonte, no fundo, é a garantia do direito de informação da própria sociedade.”
Na verdade, meu caro Paiakan, se faltavam elementos para, enfim, se compreender que o País está resvalando para a perigosa vala do autoritarismo, não resta mais. Quanto o ataque chega desta forma aos profissionais de Imprensa, o alerta é que uma ditatura esteja a caminho, meu caro Paiakan.