
Apuração do jornal Folha de São Paulo descobriu que a Caixa Econômica Federal alterou uma consulta pública para a mudança de uma agência bancária, com critérios que se adequaram para o aluguel de um terreno do deputado-presidente Hugo Motta (Republicanos).
De acordo com a Folha, em outubro passado, a alteração do edital foi noticiada pela mídia. O jornal solicitou, em três oportunidade, esclarecimentos da Caixa, informando em que data o processo de transferência da agência foi considerado inviável, mas não houve resposta.
Pra entender – Na primeira consulta, lançada em janeiro de 2023, a Caixa determinou que o terreno ou o imóvel poderiam estar localizados no entorno de sete ruas da cidade, próximas ao endereço atual da agência, que fica em um shopping. O processo, porém, não avançou e, em março de 2025, foi realizada outra consulta.
Na segunda consulta, um dos critérios era que “preferencialmente” deveria se instalada à rua do Prado, entre, especialmente, os números 1 e 200. O terreno de Hugo Motta fica no primeiro quarteirão da rua do Prado, num imóvel sem numeração, próximo ao número 15. O que bateu com a exigência da Caixa.
Outra informação que causou surpresa foi o critério de estabelecimento da área. Antes, o tamanho da área exigida, deveria estar em torno de 1.400 m². Na segunda consulta, caiu para 935 m². Detalhe: terreno de Motta, com 1.070 m², não se encaixava na exigência inicial, mas foi aceito.
Outro detalhe não menos relevante: o contrato de aluguel de R$ 43 mil, por cinco anos. Sendo que todo o investimento em obras e mobiliários feito pela Caixa seria incorporado, após o prazo do contrato, ao imóvel.
O outro lado – em nota, Hugo esclareceu que não participou de qualquer iniciativa para direcionar consulta pública ou obter favorecimento em eventual contratação pela Caixa”. Também rebateu “insinuações de conflito de interesses baseadas em vínculos familiares ou em versões preliminares de documentos carecem de lastro para sustentar qualquer narrativa de irregularidade, sobretudo quando tais ilações envolvem contratos sequer celebrados.”