OPERAÇÃO PERFIDUS Delegado e mais 8 agentes públicos são presos suspeitos de liderarem esquema com traficantes

As primeiras horas desta terça-feira (02/06) trouxe o impacto da operação realizada pela Polícia Civil e Gaeco (Ministério Público), que resultou na prisão de várias pessoas, dentre as quais o delegado Braz Morrone.

A Operação Perfidus cumpre nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

Entre os alvos da investigação, além do delegado, estão outros agentes públicos que deveriam atuar no combate à criminalidade, que seriam dois investigadores e um ex-policial militar.

Segundo as investigações, integrantes da organização tinham acesso privilegiado a informações sigilosas sobre operações policiais, imóveis monitorados e veículos utilizados por criminosos, repassando dados estratégicos que poderiam frustrar ações de combate ao tráfico de drogas.

Além do delegado, foram presos os agentes civis Everton Rychelyson da Silva Aires (conhecido pelos apelidos “Bomba” ou “Bombado”) e Eduardo Jorge Ferreira do Egito (conhecido como “Mão Branca”).

Everton seria um dos principais articuladores da organização criminosa, funcionando como elo entre traficantes e agentes públicos envolvidos no esquema. Já Eduardo Jorge é apontado como participante direto de ações ilícitas ligadas ao tráfico, incluindo supostas subtrações de drogas apreendidas, monitoramento de carregamentos, utilização de equipamentos rastreadores e ocultação de entorpecentes.

Também foram presos durante a operação: Brendo Roberth Fernandes Sobral, Dankennedy Vieira Brito da Silva (conhecido como “Babau”), João Wicttor Alves de Lima, José Alexandrino de Lira Júnior (conhecido como “Júnior Lira”), Paulo Ricardo Barbosa de Souza (conhecido como “Galinha”) e Vanessa Dantas Fernandes.

O delegado Braz Morrone ficou conhecido por atuar em investigações de grande repercussão. Ele é suspeito de integrar um esquema que utilizava a estrutura policial para favorecer organizações criminosas.

Esquema –  De acordo com as investigações conduzidas pela Draco (Delegacia de Repressão ao Crime Organizado), Unintelpol) e Gaeco, os suspeitos tinham acesso a informações sigilosas sobre imóveis, veículos e locais utilizados por traficantes para armazenamento e transporte de drogas.

A partir desses dados, os envolvidos realizavam intervenções que aparentavam ser ações policiais legítimas, mas que, segundo a investigação, serviam para beneficiar grupos criminosos.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores é a suspeita de desvio de entorpecentes apreendidos em operações oficiais. Parte dessas drogas teria sido retirada ilegalmente e posteriormente revendida, inclusive com participação de integrantes de facções criminosas dentro do sistema prisional.

As apurações também apontam que informações confidenciais sobre operações policiais eram repassadas antecipadamente a traficantes, permitindo que suspeitos escapassem de prisões e evitassem prejuízos às atividades criminosas.

Operação – A expressão Perfidius, usada pela PC para batizar a operação, significa “traidor” ou “desleal”. E diz tudo sobre o escândalo.