PENSAMENTO PLURAL “Cida precisa prestar contas aos paraibanos”, por Emir Candeia

Ex-candidato a suplente de senador (na chapa de Marcelo Queiroga), o professor Emir Candeia (PL) decidiu responder a recentes declarações da deputada Cida Ramos (PT), publicadas pelo Blog. Cida afirmou que o “bolsonarismo está perdido”, além de criticar a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do País. “Cida Ramos, antes de julgar os outros, preste contas ao povo paraibano”, pontuou. Confira íntegra…

A deputada Cida Ramos, presidente do PT na Paraíba, afirmou que o bolsonarismo está completamente perdido e acusou Flávio Bolsonaro de ter desonrado sua história e abandonado seus eleitores.

Mas quem deu à deputada Cida Ramos autoridade moral para julgar as convicções, a dignidade e as escolhas políticas de milhões de brasileiros? A declaração revela uma postura de arrogância política, como se somente os integrantes do PT tivessem legitimidade para definir o que é democracia, coragem, honra e compromisso com o povo.

Cida Ramos deveria compreender que milhões de brasileiros votaram em Flávio Bolsonaro por convicção, e não por submissão pessoal. Votaram em um projeto político, em princípios e em uma visão de país diferente daquela defendida pelo PT.

A derrota eleitoral não elimina convicções, assim como uma vitória nas urnas não concede a ninguém o monopólio da verdade ou da moralidade.

Se Flávio Bolsonaro decidiu buscar proteção nos Estados Unidos, cabe examinar as razões dessa decisão, os fatos e as circunstâncias jurídicas. A busca de proteção diante de uma ameaça considerada injusta não representa, por si só, covardia, desonra ou abandono de princípios.

Mas existe outra questão que merece ser discutida.

Cida Ramos participou do governo Ricardo Coutinho, cuja administração foi atingida por um dos maiores escândalos políticos da história recente da Paraíba, investigado na Operação Calvário.

Isso não significa atribuir automaticamente à deputada responsabilidade criminal pelos acontecimentos. Entretanto, sua participação naquele governo torna legítima uma cobrança pública: qual foi sua posição diante das denúncias? Que providências defendeu? Que explicações ofereceu à sociedade paraibana?

Quem pretende dar lições de ética e dignidade aos adversários políticos precisa demonstrar coerência também quando os questionamentos envolvem seus próprios aliados.

E há uma pergunta ainda mais importante: Qual é, concretamente, o legado de Cida Ramos para o desenvolvimento da Paraíba?

Quais iniciativas de sua atuação política produziram avanços significativos na educação, na geração de empregos, na industrialização, na inovação tecnológica, na saúde e na melhoria das condições de vida dos paraibanos?

Essas são questões muito mais relevantes para a sociedade do que declarações ofensivas sobre adversários políticos.

A Paraíba precisa de representantes comprometidos com resultados, não de políticos que transformam a divergência ideológica em instrumento permanente de desqualificação dos outros.

Também precisamos discutir seriamente a independência das instituições brasileiras. As nomeações políticas para os tribunais superiores, a imparcialidade das decisões judiciais e os limites da atuação do Supremo Tribunal Federal devem estar sujeitos ao escrutínio público, independentemente de quem esteja no poder.

Defender a democracia exige respeitar o direito de oposição, inclusive quando essa oposição representa milhões de eleitores que rejeitam o projeto político do governo.

Cida Ramos pode discordar de Flávio Bolsonaro. Pode criticar suas decisões e defender o PT. Esse é seu direito.

Mas não deve confundir divergência política com superioridade moral.

Os eleitores de Flávio Bolsonaro não precisam da aprovação de Cida Ramos para continuar defendendo suas ideias. Antes de declarar que seus adversários estão perdidos, a deputada deveria apresentar ao povo paraibano um balanço de suas próprias realizações. Porque, na política, credibilidade não se constrói com ataques, discursos agressivos ou julgamentos sobre a honra alheia.

Credibilidade se conquista com coerência, responsabilidade, transparência e, sobretudo, serviços prestados à população.

 

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