
Fico intrigado quando ouço alguém criticar o Maior São João do Mundo, em Campina Grande, por incluir em sua programação, além de artistas de forró, nomes de outros estilos musicais. Este ano, por exemplo, teremos Roberto Carlos, Marisa Monte, Martinho da Vila e Mart’nália, entre outros. E é importante destacar: nenhum desses artistas ocupa o espaço de qualquer forrozeiro.
São 30 dias de festa e dois palcos em funcionamento. Seria praticamente impossível preencher toda a programação apenas com artistas de forró capazes de atrair grande público durante todo esse período. Criticar a presença de um show de Roberto Carlos, por exemplo, revela certa dose de egoísmo social.
Ao contrário de muitos dos críticos, o público de baixa renda costuma receber essas atrações com enorme entusiasmo. Afinal, para grande parte dessas pessoas, essa será a única oportunidade de assistir gratuitamente a um show de um artista que admiram. A esmagadora maioria dos frequentadores do Parque do Povo não tem condições de pagar ingressos caros para grandes espetáculos em casas de shows.
Privar esse público dessa experiência é uma postura que flerta com o elitismo. Muitos dos que condenam essas apresentações têm condições financeiras de assistir aos seus artistas favoritos quando quiserem. Já o cidadão comum depende, muitas vezes, de eventos públicos como o São João para ter acesso a esse tipo de entretenimento e cultura.
Pergunte a um morador simples do José Pinheiro, da Ramadinha ou do Jeremias se ele considera uma ofensa à cultura nordestina a presença, na programação do São João, de artistas do sertanejo, do samba ou da MPB. Provavelmente você ouvirá uma sonora reprovação à crítica. Ele ama o forró e seus grandes representantes, mas também aprecia outros artistas consagrados da música brasileira.
Valorizar o forró não exige excluir os demais gêneros. A cultura é mais forte quando acolhe, soma e democratiza o acesso à arte. E é justamente isso que o São João de Campina Grande tem procurado fazer.