
Na querela que tomou conta do Podemos, após mudança de comando na Paraíba, traz algumas informações que merecem reflexão, meu caro Paiakan. Há labaredas crepitando nos bastidores.
A primeira deles foi a declaração dada pela presidente nacional Renata Abreu (SP) de que, antes de promover as mudanças, esteve na Paraíba e cientificou o senador Veneziano Vital do Rego da troca de comando.
Ainda segundo Abreu, na conversa com o senador, não obteve a garantia sequer de que sua esposa, a secretária Ana Cláudia, iria permanecer no partido para as eleições do próximo ano.
Lembrando que o senador chegou a declarar que tomou conhecimento das mudanças através da mídia. Então, algo precisa ser esclarecido nessa história.
A segunda consequência foi a sinalização do senador, uma vez consumada a mudança, que poderia, inclusive, apresentar sua candidatura a governador, deixando a aliança com o governador João Azevedo.
Veneziano teria admitido, no privado, a possibilidade de fechar parceria com o Dem. Trocando em miúdos: atrair o deputado Efraim Filho, que está em pré-campanha ao Senado e não tem certeza se irá compor a chapa de João.
Pelo sim, pelo não, Veneziano pode sair candidato na condição, inclusive, de franco-atirador, vez que tem ainda cinco anos de mandato no Senado. Mas, antes precisa romper com João. Com isso, também perde os cargos que ocupa no governo, como, por exemplo, a secretaria de Articulação, titulada por sua esposa Ana Cláudia.
O fato é, meu caro Paiakan, que a desconfiança mútua já se instalou na relação entre Veneziano e João. Até porque há a suspeita que o governador participou das articulações para a troca de comando no Podemos, inclusive indicando seu genro Victor Castro para a nova direção estadual, como secretário-geral.