
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8/9) o afastamento preventivo, por 90 dias, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão também alcança o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.
A medida ocorre no contexto das investigações relacionadas ao caso Banco Master e após Mendonça apontar suspeitas de produção e compartilhamento de relatórios de inteligência sobre integrantes do STF e da Advocacia-Geral da União.
Segundo a decisão, Mendonça afirmou ter sido alvo de um suposto “monitoramento sistemático e ilegal” realizado pela área de inteligência da PF por mais de 30 dias. O ministro também determinou a suspensão da produção e do compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar a atuação funcional de magistrados, integrantes da advocacia pública ou da própria atividade policial.
O episódio se agravou após o ministro Alexandre de Moraes, também do STF, utilizar documentos produzidos pela área de inteligência da PF em uma investigação envolvendo Mendonça. O material teria sido usado para embasar questionamentos sobre a atuação do ministro no caso Banco Master e em investigações relacionadas ao INSS.
Mendonça classificou como de “superlativa gravidade” a divulgação dos documentos e afirmou que a situação exige medidas para preservar as prerrogativas da magistratura, da advocacia pública e da atividade policial.
A decisão atende parcialmente a um pedido apresentado pelo Partido Novo, que havia solicitado também a prisão preventiva de Andrei Rodrigues. Esse pedido, porém, não foi acolhido pelo ministro.
STF analisa afastamento – A decisão foi submetida à Segunda Turma do STF, que iniciou a análise nesta terça-feira. O colegiado deverá decidir sobre a manutenção ou não do afastamento.
O episódio aumenta a tensão entre ministros do Supremo em meio aos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master.