
O derrota do presidente Lula (PT) com a rejeição do Senado à indicação de Jorge Messias (Advogacia-Geral da União) não foi algo fortuito, meu caro Paiakan. Vários senadores, ao manifestarem seus votos, até elogiarm Messias, mas sinalizaram voto contrário como mensagem a Lula. Então, o que realmente isso significa?
Foi uma derrota catastrófica, sem dúvida. E começou a se desenhar, desde novembro do ano passado, quando Lula decidiu dobrar a aposta, lançando o Bessias, em confronto com o todo-poderoso presidente Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia o senador Rodrigo Pacheco (PSB).
E, vamos combinar, Lula (ou qualquer outro presidente) não poderia se dobrar à vontade de Alcolumbre. Mas, talvez tenha faltado habilidade para, por exemplo, lançar um outro nome no lugar de Messias. Que poderia nem ser Pacheco, que, obviamente, pelas suas posições, não tem lealdade a ninguém.
Lula, provavelmente, apostou na via da transação. Tanto que, nas últimas semanas, liberou mais de R$ 12 bilhões, segundo apurou o portal G1. Mas, obviamente, foi uma aposta errada. Pelo visto, esta modalidade de coalização está com fadiga de material, afinal nem dinheiro de emendas Pix resolveu.
O que pode ter mobilizado o Centrão? Várias razões. Os números desfavoráveis das pesquisas à corrida presidencial, certamente, contribuíram. A esta altura do campeonato, com mais de três anos de Governo, Lula era pra estar na liderança e com folga. Não é o que está acontecendo. Há o fantasma de Bolsonaro, via Flávio, no caminho.
Segundo comentários de bastidores, Lula teria atribuído a derrota a um combo envolvendo traições de última hora, frustração com votos que eram considerados favoráveis e, principalmente, a disputa política-eleitoral em curso no Senado. Acusou o golpe, pelo visto, afinal a derrota deu mais gás para Flávio Bolsonaro.
O fato é que não é todo dia que um presidente tem uma derrota dessa magnitute. Foi o primeiro caso em 132 anos de sabatinas para ministros do Supremo Tribunal Federal. Houve apenas cinco casos, antes, ainda durante o Governo Floriano Peixoto, em meio a um conflito instalado no País.
Resultado: o petista vai precisar lamber as feridas rapidamente, e reagir com ações efetivas. Porque, se este clima contaminar a eleição de outubro, Lula pode sofrer um pesado revés nas urnas, meu caro Paiakan.