PRA DEBAIXO DO TAPETE Supremo Tribunal Federal decide não decidir e chega ao fundo do poço

O Supremo Tribunal Federal poderia, na tumultuada sessão dessa terça-feira (15/09), ter optado por abrir a investigação contra o ministro Alexandre de Moraes, como reivindica seu colega André Mendonça. Ou, poderia abrir procedimento contra Mendonça, como pretende Moraes. Mas, tomar uma decisão, meu caro Paiakan.

A Corte simplesmente decidiu não decidir. E jogou para debaixo do tapete uma crise que poderia ter pelo menos estancado. Aos olhos da população, adiar qualquer decisão é o primeiro passo para a impunidade dos eventuais envolvidos. Há um histórico nefasto de impunidade que, hoje, é a principal marca do País.

O que ficou de saldo, contudo, é: temos uma Corte, que deveria ser Constitucional, TEM vários de seus ministros atuando de forma política, em defesa, não dos interesses da população, mas deles próprios. E isso ficou tão claro quanto o céu que alguns deles vislumbrava quando voava nos jatinhos de Daniel Vorcaro.

No mais, pelo menos divertiram o País com uma ópera-bufa e troca de ofensas entre seus ministros, sacando adjetivos que qualquer brasileiro até gostaria de proferir mas, pelo histórico recente da Corte, poderia simplesmente acabar na prisão, por emitir uma opinião e, pelo que se viu, ontem, uma opinião verdadeira, já que eles se consideram donos da verdade e o que dizem, inclusive contra os colegas, deve ser a perfeita expressão da verdade.

Uma ressalva: até houve um momento de sanidade no pugilato dessa terça-feira: quando o histriônico ministro Flávio Dino afirmou que nunca viu tanta corrupção no Judiciário do Brasil, do qual, lembre-se, ele faz parte. Ou esteve assumindo uma mea culpa, ou acusando colegas magistrados, e como o ônus da prova cabe à acusação, que tal começar a detalhar os atos de corrupção e, especialmente, declinar os nomes?

No fim, ficou também a impressão que até a troca de ofensas foi parte de um teatro, para enganar o distinto público. Triste do País em que seu Judiciário se afoga na lama, e não tem a hombridade de dar satisfações à sociedade, meu caro Paiakan. O Supremo chegou ao fundo do poço.